quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A ESTRADA DA VIDA

ESTRADA DA VIDA

Da vida tiro lições profundas
De coisas que passam com a gente.
Às vezes sem solução.
Nesta estrada sem retorno
Passamos por cada contorno
Sem perceber a direção

Depois de ter passado
Do outro lado vemos a estrada
E pensamos; como passei?
Passamos por ser caminho
Caminhos ignorados
Caminhos que eu andei

Pela vida nós passamos
Por rumos que não sabemos
E sempre estaremos andando.
Sem saber que rumo teremos.
Mesmo sem saber o rumo
Pela vida estamos passando

Não poderia dizer
Que caminho andarei amanhã
Por estar na encruzilhada
Não desisto de andar
Na batalha vou lutar
E findar minha jornada



Monteiro, 04 de dezembro de 05


Daniel Nunes da Silva

O DIA

O DIA

De manha cedo eu vejo,
A aurora boreal.
Ouço o regorjeado,
Do conhecido pardal.

Parece até que seu canto,
Ajuda o amanhecer.
E nesse exato momento,
O sol começa aparecer.

Vejo por entre as árvores,
Os raios coloridos do sol.
Nos meus olhos há encanto,
Nesse lindo arrebol.


O sol que não tem fronteiras.
O sol que não tem nação.
Há hora certa e marcada,
Ele acende o seu tição.


Mostrando a todo mundo,
O seu manto, suas vestes.
Encantando a beleza do céu,
No esplendoroso azul celeste.


Quando é tarde novamente,
Eu vejo de novo o encanto.
O sol quando esta se pondo,
Parece um poderoso manto.

À tarde vem de mansinho,
Trazendo uma brisa fria,
A noite cobre o mundo,
E assim termina o dia.


Daniel Nunes

É VOCÊ SORRINDO

É VOCE SORRINDO

É como lírio branco
Molhado pelo orvalho da noite
Perfumado e lindo
É você sorrindo

E como a rosa grande
Gloriosa e bela
Quando a noite vem caindo
É você sorrindo


É como o cravo belo
Pomposo e cintilante
Quando está se abrindo
É você sorrindo

E como o campo longe
Que depois da seca
Recebe a chuva caindo
É você sorrindo


É como a estrela Dalva
Naquela noite limpa
Quando o dia vem saindo
É você sorrindo


É como se o homem andasse
Por uma terra sedenta
E visse uma fonte se abrindo
É você sorrindo

É como o beija flor
Que vai beijando a rosa
E o néctar vai saindo
É você sorrindo

Por isso sorria sempre
Teu sorriso só faz bem.

Daniel Nunes

DEVANEIOS

DEVANEIOS

Que será de tudo?
Que será do mundo?
Que será das gentes?
Que será das plantas?
Do calor que se agiganta
Cada hora é mais quente

Que será dos peixes?
Que será dos mares?
Que será da terra?
Que será das aves?
Ta ficando lamentável,
Será a terceira guerra?

Que será das cidades?
Das costas marítimas?
Dos grandes centros?
Das praias paradisíacas?
O pantanal onde fica?
Será apenas lamento?

O buraco na camada
O que foi feito ta feito
E tarde não volta mais
Não adianta correr atrás
É vão, é ineficaz,
É paz pregada sem paz


A fumaça que exala
A fuligem que espalha
A doença se avizinha
Está cada dia mais confuso
Entramos em parafusos
A morte vem a tardinha

Plantar árvores é solução?
Parar fábricas, para o mundo!
O enredo é obscuro
Indistinto, ignorado, sombrio.
Olhos fitos no vazio
Procurando solução no escuro


E as medidas políticas?
Os salvadores do mundo?
Tudo está escrito no Livro
E a lei da termodinâmica?
Na haverá força titânica
Que escape do seu crivo

A aldeia global está em pânico
A geo está confusa
É a criação que geme
Procurando uma saída
Todos querendo vida
O mal repele, é repelente.

E os ambientalistas?
Termina nas passeatas
Seus gritos não foram ouvidos
Chegou o apocalipse!
O sol entrou em eclipse
Mas nem tudo está perdido

No Livro fala do céu
Um lugar sem frio nem calor
Onde habita o eterno
Para onde vai a alma
E tudo será plena calma
Longe do fogo do inferno


Monteiro, 20 de novembro de 2007

A VIDA

A VIDA

Somos qual conto ligeiro
Como veloz passageiro
Que pela vida vai
Como a flor que aparece
E logo se desvanece
E já não existe mais

Somos iguais ao rio
Que por longos anos a fio
Corre pra não mais voltar
As suas águas que desce
Logo desaparece
Misturando com as águas do mar

Somos iguais a neblina
Que molhando a manha menina
Desaparece com o sol
Como a nuvem qual cordeiros
Que se vai com o vento ligeiro
Desfazendo-se no arrebol

Somos qual navio mercante
Que se atraca por um instante
E logo se afasta do cais
Porque pensar na vida tão fútil
Se o que se faz de útil
Logo fica para trás?


Não é bem assim disse alguém
Porque a alma que a gente tem
Dentro do corpo aparente
Será um dia libertada
Da matéria tão cansada
Pra viver eternamente

Daniel Nunes

SEM NOSTALGIA

SEM NOSTALGIA


A natureza, como num jogo
de antíteses, muda. Transforma.
Não há lembranças do passado.
Nem se quer lembrar!

Pouco a pouco, se vê brotar,
Uma relva pequena e frágil.
Uma flor de cor branca e amarela.
O chão vira uma aquarela multicores.

Ouvem-se uma imensidão de vozes,
que surgem do nada.
Animais que saem dos seus esconderijos,
como que se a seca os amedrontassem.

Murmuram os riachos.
O vento sibila.
O sapo coaxa
Os pássaros cantam.

A semente é lançada na terra.
Os torrões se levantam,
E o milagre de morte e vida
Contrasta-se, dando lugar ao verde.



A memória quer ainda vive,
a miséria do passado.
Dos dias e dias de sol,
Da seca que castigava.

Mas é tão bonito o inverno,
Tão lindo ver o cariri em festa.
Oh Deus, a ti seja a gloria,
Pois a vitória nos deste.


Autor: Daniel Nunes da Silva
Monteiro, 22 de março de 2008

EXPECTATIVA

EXPECTATIVA

Ė seca, é terra.
Poeira, deserto.
Angustia, tristeza;
Ė fome por perto


Olhar que procura,
Buscando o infinito.
Algurio, desejo.
Está tudo esquisito.


O astro rei treme
O homem teme.
O porvir incerto,
O gado geme.


Os espinhos sufocam,
A terra desnuda.
O sertanejo clama:
Pedindo ajuda.


Caatinga desocupada,
A casa caiu.
Não há plantação.
O homem fugiu.




Lamurias no peito.
Sem paz, inquieto.
Será que sou homem,
Ou sou objeto?


Pra traz o passado.
A reminiscência.
Tempos de orvalho,
Na consciência.


Abatido, debilitado,
Esquálido, lânguido.
Falta-lhe o sangue,
O ar está cândido.



A fé não lhe falta.
O olhar em festa.
Fruição da esperança,
A última que resta.


O estio é longo.
A angustia aperta.
Mugido sem pasto,
É fome que cerca.

Daniel Nunes
Monteiro, 26- 11- 2007

DIVAGAÇÃO

DIVAGAÇÃO


A luz quase apagada,
A penumbra melancólica.
O coração palpita.
Os olhos buscam algo no nada.
A mente ressuscita,
Como que de uma amnésia
Ou estado anestésico.

Não há força que a estorve,
Vence limites, distancia.
Passado, presente e futuro.
Tudo esquadrinha.
Remexe no passado.
Coisas de criança, infância,
Ha muito esquecidas,
Adormecidas.

Recordação de tudo, brinquedos,
Se é que os teve. Nada passa despercebido.
É como ir abrindo um livro,
Ir lendo, relendo, meditando.
São coisas que passaram,
Não apaga, não sai.
Os rostos, amigos, “inimigos”.

O presente assusta. Amedronta,
Por não haver saída.
Que será da vida?
Trabalho, estudo. Assim vai.
Não para nunca.
O coração, quantas vezes já pulsou?
Será que esta perto de parar?

Sem querer ouvir a resposta,
Prossegue para outra instancia da vida.
O futuro, onde será?
Como fiel cristão, arremessa-se para o céu.
Lugar onde os santos,
Que deixaram o invólucro da alma
Hão de habitar


Daniel Nunes

Monteiro, 28-11-2007

DISPARIDADE

DISPARIDADE

Um com tanto,
Outro sem nada.
Um recebe flores,
Outro pedradas.

Um come lagosta,
File mignon, camarão.
Outro do fim da feira,
Ou do lixão.

Apartamentos de luxo,
Condomínios fechados.
Lata de óleo, papelão,
No barraco armado.

Cães de raça, segurança.
Guarda costas, cerca elétrica.
Corpos estendidos,
Projéteis zunindo, imagem patética.

Carrões importados,
De meio milhão.
As filas do trem,
É só confusão.

Escolas privadas,
Ensino, cultura.
A publica mal feita,
Não aprende a leitura.

Na privada, computadores,
Data show, internet.
Na publica o giz,
A briga, o bofete.

As gravatas de seda,
Os paletós bem cortados.
A compra no brechó,
O restante e doado.

Olhar de mandões,
Não tem coração.
O rosto de lagrimas,
Implora o pão.




A classe que manda,
Que dita o que faz.
A classe mandada,
Sob ordem tenaz.

Discursos polidos,
Bonitos de ouvir.
Seriam mais belos,
Se o víssemos cumprir.

Sair do discurso,
E partir pra ação.
Pra que na mesa do pobre,
Não faltasse o pão.

Não pão como esmola,
Mas pão com verdade.
O que o povo precisa,
É de dignidade.




Daniel Nunes

A FOTO

A FOTO


Eu vejo, eu toco,
Eu sinto e contemplo,
Mas sem vida, mudo,
Calado e frio.
Pergunto,
Tudo é vazio.

Em momentos,
Converso.
É tão bom,
Tão livre,
Tão real.
Parece que vive.

O coração bate,
A boca seca,
A garganta aperta.
Olho e vejo,
Parece que fala,
É apenas lampejo!

Ela ajuda,
Ameniza a saudade.
Das entranhas o grito,
Do espírito o desejo,
Da alma a angustia,
Quando na foto te vejo.

Do flash,
Da celulose.
Nas cores vivas,
A bonita presença.
O olhar em festa,
Uma grande querença.

Segundos imortais.
O tempo passou,
Ficou o retrato,
Presença constante,
No quadro gravado,
É emocionante.




A família reúne,
E todos querem ver.
Queridos que foram,
Pro lado de lá,
E deixaram o retrato,
Do lado de cá.

É foto.
É fato.
Não se pode negar,
Esteve aqui,
Conosco, comigo,
Juntinho de mim.

Hoje se foi,
Dizendo até logo,
Dizendo até breve.
E duro o ato,
Ficou apenas a foto,
Apenas o retrato.

Daniel Nunes

COISAS DA VIDA

COISAS DA VIDA


A rosa colorida.
O cheiro da margarida.
A manhã esquecida.
A hora da comida.
A tarde desvanecida.
A noite caída.
A interminável lida.
São coisas da vida.

A pessoa atrevida.
A questão discutida.
A alma partida.
A angustia sentida.
A mão querida.
A ajuda oferecida.
A lágrima contida.
São coisas da vida.

A mensagem lida.
Que foi correspondida.
A vitória obtida.
A cicatriz da ferida.
Alguém que convida
Situação definida.
Batalha vencida.
São coisas da vida.



O caminhar na avenida.
A visão erguida.
Na terra garrida.
A testa franzida.
A placa entendida.
A mensagem absorvida.
Pra sempre detida.
São coisas da vida.

No cavalo a corrida.
O vento que convida.
Emoção curtida.
A muito esmaecida.
Porém, reconstituída.
Novamente tecida.
Em batalha aguerrida.
São coisas da vida.

A chapa aquecida.
O olor da comida.
A porta rangida.
A prece precedida.
Por pessoa precavida.
Vontade preconcebida.
A alimentação repartida.
São coisas da vida.
A emoção vivida.
A familia constituída.
A cabeça encalvecida.
A força já diluída.
Por estar gasta e sofrida.
Como fruta amadurecida.
Preparando pra partida.
São coisas da vida.

A nuvem colorida.
A gravidade vencida.
A alma embranquecida.
Coisa jamais vivida.
O findar da dura lida.
Para viver eterna vida.
Entrando na mansão querida.
São coisas da vida.


Monteiro, 03 de outubro de 2008.



Daniel Nunes da Silva